DESENHO GEOMÉTRICO

  Boa Noite! 2/9/2014 - 18:35:31

AULA 8T         "ARCOS"


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DEFINIÇÃO DE ARCO

O termo arco que vem do latim arcus, designa um elemento construtivo em curva, geralmente em alvenaria, que emoldura a parte superior de um vão (abertura, passagem) ou reentrância suportando o peso vertical do muro em que se encontra.

APLICAÇÃOES DE ARCO

Das diversas aplicações que um arco pode ter observa-se principalmente a sua utilização em portas, janelas, pontes, aquedutos, como elementos de composição tri-dimensional de abóbadas e até em paredes de retenção ou barragens (onde a pressão se efectua horizontalmente). Também em formações geológicas naturais se podem encontrar arcos como resultado da erosão.

O ARCO NA ARQUITETURA - HISTÓRIA

          Os construtores da antiguidade dispunham de limitados materiais para fazer suas construções. Entre esses materiais tinham a madeira e a pedra. A madeira, pela sua pequena resistência e pouca durabilidade não era dos melhores materiais. As pedras apesar de difíceis de serem removidas e trabalhadas, apresentavam grande resistência a compressão e grande durabilidade.
        Foram desenvolvidas então, técnicas para melhor se aproveitar essas características da pedra. Os etruscos iniciaram e depois os romanos aperfeiçoaram a construção de arcos. Conseguem-se vãos muito maiores com arcos do que com vigas retas, por isso eles são muito usados na construção de pontes e viadutos. Arcos podem vencer vãos de cerca de 300 m e se forem metálicos podem chegar a 550 m.
        Mas além da sua função prática de distribuição da carga o arco possui também uma forte componente decorativa permitindo uma grande varidedade formal.


       IMPÉRIO ROMANO – arcos/abóbadas.
       SÉCULO IX – estilo românico – arcos plenos e a cantaria (pedras) – pedra cortada e assentada de forma refinada.
       SÉCULO XV – renascimento - arcos redondos e coberturas abobadadas.
       SÉCULO XVI – maneirismo – arcos no interior da construção.

        O uso do arco surge com as civilizações da Antiguidade embora o Antigo Egipto, a Babilónia, a Grécia Antiga e a Assíria o tenham restrito a construções no sub-solo, nomeadamente em estruturas de drenagem e abóbadas. Por outro lado a sua arquitectura exterior é sobretudo caracterizada por uma tipologia onde se conjuga o uso da coluna com a viga horizontal. Assim, pela necessidade de minorar o impulso vertical sobre os lintéis de pedra, propaga-se o uso de colunas sucessivas de colocação próxima e que têm como função suportar a tal carga.

        São mais tarde os romanos os responsáveis pela utilização do arco em grande escala, erigindo, pelo alcance de maiores vãos, edifícios de dimensões monumentais. É nesta altura que se propaga o arco de volta perfeita, semi-circular assente em pilares e que será também uma das características do estilo românico e do Renascimento.

        Por altura do estilo gótico difunde-se um novo género de arco que se crê já ter sido anteriormente utilizado pelos assírios, o arco quebrado. Este arco é composto por dois segmentos de circunferência com centros distintos dando lugar a uma forma pontiaguda que faculta ao arco uma maior força e possibilita vãos mais altos. Este arco provoca, no entanto, um maior impulso olíquo que será inicialmente recebido por espessos contrafortes e mais tarde por arcobotantes.

        Também na arquitectura islâmica é comum o uso do arco especialmente por motivações decorativas onde sobressaem o arco de ferradura e diversos arcos decorativos com a inserção de lóbulos rendilhados. Mais a Oriente, a China usava já desde dinastias antigas o arco aplicado à construção de pontes. Ao longo do tempo vão sendo adaptadas e fundidas diversas tipologias formais do arco nos diversos movimentos eclécticos da arquitectura.

COMPONENTES DE UM ARCO

 

1. CHAVE: Bloco superior ou aduela de topo que “fecha” ou trava a estrutura e pode ser decorada. Também designa o ponto de fecho de uma abóbada onde os arcos que a compoem se cruzam, geralmente em forma estilizada de flor.

2. ADUELA: Bloco em cunha que compõe a zona curva do arco e é colocada em sentido radial com a face côncava para o interior e a convexa para o exterior.

3. EXTRADORSO: Face exterior e convexa do arco.

4. IMPOSTA: Bloco superior do pilar que separa o pé-direito do bloco de onde começa a curva, a aduela de arranque. É sobre a imposta que assenta esta primeira aduela que tem pelo menos um dos lados (junta) horizontal.

5. INTRADORSO: Face interior e côncava do arco.

6. FLECHA: Dimensão que se prolonga desde a linha de arranque (delimitada pela imposta e pela aduela de arranque) até à face interior da chave. Esta área pode ser tapada dando lugar a um tímpano.

7. LUZ: Vão, largura do arco, geralmente maior que a sua profundidade. A relação entre a flecha e a luz é geralmente traduzida numa fracção (ex: 1/2, 1/3, etc.)

8. CONTRAFORTE: Muro que suporta a impulsão do arco. Caso não exista uma parede esta impulsão pode ser recolhida por outro arco lateral e assim sucessivamente (arcada).

FUNCIONAMENTO DO ARCO

       Ao contrário de aberturas rematadas a trave, onde a carga vertical exercida directamente sobre um lintel o pode eventualmente deformar ou quebrar, o arco funciona em compressão e transporta o peso da construção para os pilares de suporte e para os lados (impulso lateral e diagonal) permitindo a abertura de vãos maiores sem risco de colapso.
       Geralmente em pedra, tijolo ou outro material de construção similar, o arco é composto por blocos em cunha que, colocados adjacentemente, se travam uns aos outros em compressão e mantêm a forma em curva.
       O bloco situado no vértice do arco, a chave, é o último elemento a ser colocado e o que permite que a estrutura se trave e a forma se mantenha. Até à colocação deste último elemento é usada uma armação provisória em madeira ou metal, o cimbre, que serve de molde, apresentando o que será a curva interior do arco e que permite que as aduelas tenham apoio até à consolidação final com a chave. Caso os cálculos tenham sido mal efectuados pode acontecer que a estrutura colapse após a remoção do suporte.

ARCOS - CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL

1. ARCO AVIAJADO: também chamado de arco botante, arco botaréu e arco esconso; é um arco que não tem os seus extremos ou pontos de nascença sobre a mesma linha horizontal. Encontra-se no exterior de uma construção e geralmente descarregra o impulso de uma abóbada situada no interior de uma catedral para o contraforte no exterior ao qual se encontra conjugado.

2. ARCO CEGO: não ladeia uma passagem ou abertura, a sua área é tapada e geralmente surge como elemento de relevo numa parede.

3. ARCO DE CRUZEIRO: na igreja separa a nave da capela-mor ou do coro situando-se no cruzeiro. Pode ter uma trave a unir as aduelas de arranque.

4. ARCOS DE DESCARGA: recebe e alivia o peso de uma parede e situa-se acima de uma platibanda.

5. DIAFRAGMA: utilizado para separar áreas de uma igreja de modo a aliviar a carga das paredes laterais.

6. ARCO DE ESCARNAÇÃO: serve de auxíllio a outro arco que não tem capacidade para suportar o peso sobre si exercido.

7. ARCO DE PENETRAÇÃO: resultado da intersecção entre duas abóbadas de berço.

ARCOS DE ESTRUTURAÇÃO DE ABÓBADAS E OGIVAS

8. ARCO DE OGIVA: estrutura o esqueleto da abóbada cruzando-se com outro no centro (chave) distribuindo o peso até aos pilares de apoio.

Igreja de Fecamp - França

9. FORMALETE: (formeiro, formalote): situa-se longitudinalmente em ambas as paredes laterais

10. ARCO TORAL: situa-se perpendicularmente às paredes laterais.

ARCOS - CLASSIFICAÇÃO FORMAL

    Os arcos gótico e ogival foram muito empregados nas aberturas das catedrais góticas (portas e janelas). Os arcos tudor, otomano, mourisco e ferradura foram utilizados nos vãos da arquitetura mourisca (sarracena). O arco ferradura é característico da arquitetura árabe na Espanha.
        Existem muitos outros arcos como: arco angular, truncado, poligonal, zig-zag, redondo, escarzano, elíptico, peraltado, apontado, carpanel, deprimido côncavo, deprimido convexo, georgiano, ogival quebrado, agudo, tudor espanhol, tudor inglês, flamígero, multilobado, angelado e florentino.

1. ARCO ABATIDO: também chamado de arco asa de cesto, arco asa de balaio e arco sarapanel.

2. ARCO GÓTICO: também chamado de Talão, pela semelhança da moldura deste nome. É um arco ogival constituído pela concordância de quatro arcos de circunferência, portanto possui quatro centros.

3. ARCO MOURISCO: também chamado de arco árabe e arco ferradura; é o arco cuja altura é maior do que a metade do vão ou abertura.

4. ARCO PLENO-CINTRO: também chamado de arco romano; é o arco em que a altura, flecha ou raio é igual a metade do vão ou diâmetro.

5. ARCO TUDOR: também chamado de arco gótico inglês. Originou-se no reinado de Henrique VII (1485 - 1509), o primeiro rei da dinastia dos tudor. É um arco ogival constituído pela concordância de quatro arcos de circunferência: portanto possui quatro centros.

6. ARCOS GEMINADOS: arcos reunidos dois a dois por um outro arco maior ou por coluna, tendo um capitel comum.

7. ARCO TRILOBADO: 3 arcos compostos por circunferências secantes.

8. ARCO FERRADURA: Composto por dois arcos de círculo. Para ver exemplo do arco, clique na figura abaixo.

ARCOS - CLASSIFICAÇÃO GEOMÉTRICA

1. ARCO CAPAZ: é o lugar geométrico dos pontos do plano do qual um segmento é visto sob um mesmo ângulo.

2. ARCO PARABÓLICO: é o arco que se parece com a parábola ou com a catenária.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, Theodoro. Desenho Linear Geométrico. São Paulo : Ícone. 13° ed. 230 p.

MELLO E CUNHA, G. N. de. Curso de Desenho Geométrico e Elementar. São Paulo: Livraria Francisco Alves, 460p, 1951.

RIVERA, Félix ; NEVES, Juarenze; GONÇALVES, Dinei (1986). Traçados em Desenho Geométrico. Rio Grande: editora da Furg, 389 p.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arco_(arquitectura)

CRÉDITOS

Página construída por Maria Bernadete Barison.

 

1T Retas           
2T Ângulos 
3T Segmentos
4T Proporção 
5T Circunferência
6T Tangência
7T Concordância            
 

8T Arcos
    
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9T Cônicas          
10T Triângulos     
11T Polígonos     
12T Malhas